Silent Hill: Revelação 3D – Análise


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Silent Hill: Revelação 3D segue os acontecimentos do seu antecessor, lançado em 2006 e protagonizado por Radha Mitchell, no papel de Rose, uma mãe desesperada para encontrar a cura para o sofrimento da filha adoptiva que a leva até à cidade maldita de Silent Hill, onde episódios estranhos têm lugar e conduzem a respostas ao mistério por detrás da relação entre Sharon (filha adoptiva) e a cidade, tomando por inspiração o enredo do primeiro jogo da série Silent Hill.

Um dos aspectos mais interessantes do primeiro filme é efectivamente a forma como toda a história é deixada em aberto, através de um final ambíguo que deixa o espectador na dúvida sobre o destino de Rose e Sharon, e abre os horizontes a uma provável sequela directa, sequela a qual leva seis anos a surgir!

Silent Hill: Revelação segue então os acontecimentos do primeiro filme e conta com Adelaide Clemens no papel de Heather Mason. (protagonista do terceiro jogo da série.) Aqui Heather está em fuga com o pai, Harry Mason (Sean Bean), sempre perseguidos por perigosas forças que ela ainda não compreende e que a atormentam através de pesadelos que tem desde criança. No entanto, as coisas mudam drasticamente no dia do seu 18º aniversário quando episódios estranhos começam a acontecer e Heather percebe que não é quem pensa que é. A juntar a tudo isto está o simultâneo desaparecimento do pai, Harry, que é levado para o reino maldito de Silent Hill. Heather segue o seu rasto e com a ajuda de um misterioso rapaz, Vincent, enfrenta uma realidade demoníaca que guarda segredos sobre a sua identidade e a sua verdadeira ligação com a cidade.

Se o primeiro filme se apoiava numa abordagem narrativa mais poética, repleta de momentos de suspense, Silent Hill: Revelação, vem adoptar uma abordagem especialmente centrada na acção, ao invés da tensão prolongada. Este pode ser um dos pontos menos bons deste filme, ao longo de cerca de 90 minutos (duração bastante mais reduzida face ao primeiro filme), são poucos os momentos que permitem ao espectador criar uma verdadeira relação com a narrativa, uma vez que a acção passa-se demasiado rápido e encadeada, por vezes, de forma sintética. No fundo as coisas acontecem quase todas ao mesmo tempo, à medida que somos transportados através de autênticos níveis de um videojogo. Por exemplo, Heather está numa determinada situação, entra numa porta e uma nova situação tem início, praticamente superando a anterior. No fundo, esta parafernália de acções acaba por fazer com que cada uma seja pouco desenvolvida e acabe por saber a pouco! No entanto, não deixa de funcionar bem, uma vez que cada acção é capaz de representar de forma bastante fidedigna, a fonte de inspiração – Silent Hill 3 – Algo que na minha opinião, ao contrário do que muitos pensam, o primeiro filme também conseguiu fazer satisfatoriamente. De qualquer forma, Silent Hill: Revelação 3D vem trazer uma série de elementos não só narrativos mas também pictóricos, que invocam várias partes dos videojogos! Como fã, foi gratificante reconhecer elementos nos cenários que se referiam a momentos específicos dos jogos. O melhor exemplo disso tem lugar no “Brookhaven Asylum”, graças à presença dos mapas originais, bem como o sapato vermelho no quarto do Motel “Jack’s Inn”. Numa visão geral, há que dizer que esta foi uma excelente adaptação do videojogo, muitas cenas fielmente representadas, como a do carrossel, perto do final. O dramatismo deste momento é fantástico, complementado por bons diálogos que completam a grande prestação de Adelaide Clemens. Ainda referente a diálogos, há que referir que muitos deles ficaram à quem do que se poderia esperar de grandes actores. Grande parte do diálogo existe para oferecer gratuitamente o enredo mais denso do filme, tendo os próprios personagens a explicar a história milimétricamente, contando com recorrentes flashbacks correspondentes ao primeiro filme. A prestação de Kit Harrigton ficou também bastante à quem do que se fazia esperar, talvez graças ao facto de grande parte dos diálogos serem pobres e a própria  direcção de actores feita por parte de Michael J. Bassett, ser também insuficiente. No fundo nenhuma personagem é realmente desenvolvida ao longo do filme para que seja possível uma especial empatia. Heather é a única personagem com a qual conseguimos interagir mas até nela, não é possível reconhecer uma evolução. Douglas Cartland (Martin Donovan) tem direito a poucos minutos de atenção e o seu destino é terrível  dando o seu papel original ao jovem Vincent (Kit Harrigton), enquanto Claudia Wolf (Carrie Anne-Moss) continua a ser a principal antagonista mas num nível inferior graças ao seu pouco tempo de antena. De qualquer forma é compreensível que assim seja, com uns escassos 90 minutos, seria pouco provável criar uma maior profundidade na narrativa ao ponto de fazer jus a todos os personagens intervenientes, mas é facto que algumas decisões não foram acertadas.

No campo das decisões acertadas, podem ser referidas várias, dando-se destaque ao departamento de arte que realizou um trabalho fantástico em todas as  partes do filme, dando a Silent Hill: Revelação um visual bastante credível e absolutamente próximo da fonte de inspiração. Destaque também para o design das criaturas, levado a cabo pelo conhecido Pattrick Tatopoulos. Apesar de ter gerado alguma controvérsia em volta da comunidade de fãs, a utilização de monstros do primeiro filme, resultou bastante bem, dando destaque ao emblemático Pyramid Head, que viu o seu papel crescer nesta sequela. Apesar da mudança de propósito, face à fonte de inspiração original, a utilização desta criatura como guardião de Alessa funcionou na perfeição, fazendo o público estabelecer uma improvável relação de empatia e até mesmo de pena para com o não tão assustador e ameaçador Red Pyramid “Thing”.

A juntar a toda a componente visual está o som, um dos melhores elementos do filme. Desde o primeiro frame até aos créditos finais, toda a componente sonora de Silent Hill: Revelação, está magnificamente executada, graças ao talentoso e veterano Akira Yamoaka em colaboração com Jeff Danna. As variações de intensidade e ritmo servem a acção perfeitamente, intercalando o silêncio com uma ambiência própria da série Silent Hill, ajudando assim a ritmar a acção acelerada. Mais uma vez, destaca-se a cena do carrossel, com uma sonoplastia muito boa. Por fim, ainda no departamento de som, há que referir a música dos créditos finais, depois da sequência em CGI, toca Silent Scream, música criada especialmente para este filme, e que conta com os dotes vocais da cantora residente, Mary Elizabeth McGlynn.

Por fim, mas não menos importante, há que referir a componente 3D que acompanha a jornada de Heather em Silent Hill: Revelação. Este é sem dúvida um elemento que adiciona muito à experiência em cinema, especialmente em certas ocasiões onde se dá uma imersão arrepiante no filme, levando ao extremo a sensação de interactividade com os próprios personagens, acção e cenários. Uma destas ocasiões dá-se logo no início quando a sala de cinema se enche de cinzas. No entanto outros efeitos ficaram à quem do esperado, como os típicos objectos que saltam do ecrã, que em maioritariamente não conseguiram cumprir com o efeito pretendido. De qualquer forma, o detalhe e a definição de cada plano graças à tridimensionalidade, valeu a aposta nesta vertente que felizmente não viu um abuso na sua utilização.

VEREDICTO FINAL:

No geral, Silent Hill: Revelação, apesar de não ser, de todo, uma obra prima, consegue apresentar-se como um filme consistente, mantendo-se fiel à fonte de inspiração. O seu verdadeiro ponto negativo reside na acção acelerada e em alguns diálogos mal concebidos, consequência da reduzida duração do filme que obrigou a uma maior concentração da história que se desenvolve demasiado rápida, criando poucas oportunidade de relação com a narrativa. No entanto apresenta um visual bastante forte, aliado a uma componente sonora brilhante e a um complemento 3D que oferece boas experiências na sala de cinema.
Resta agora aguardar por uma possível sequela e torcer para que venha a ver a luz do dia num futuro mais próximo que seis anos!

7//10

Agradecimentos especiais:

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